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INFLAÇÃO EXPLODE DE VEZ EM JUNHO

IPCA de 0,79% é o maior para o mês desde 1996 e o acumulado do semestre, desde 2003.

Apenas metade do ano se passou, mas o índice oficial de inflação já beira o limite de tolerância de 6,5% da meta perseguida pelo governo.

Em junho, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) contrariou a tendência histórica de desaceleração para o mês e ganhou força, subindo 0,79% – a maior desde 1996.

Com isso, o IPCA subiu 6,17% no ano até junho – o maior resultado para o período desde 2003, informou dia 8 de julho o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Nos últimos 12 meses, a inflação pesa ainda mais, com alta de 8,89%. Na região metropolitana de Curitiba, já supera os dois dígitos. Em julho, a projeção é de que o IPCA geral ultrapasse os 9%. Já estão no radar aumentos na energia elétrica em São Paulo e nas taxas de água e esgoto em sete regiões.

Além disso, o índice de julho do ano passado foi atipicamente baixo (0,01%), o que torna a inflação em 12 meses sensível a qualquer movimento nos preços neste mês de julho. Há expectativas de que a inflação supere 9% em julho, dizem especialistas.

O resultado de junho veio de uma combinação de reajustes nas loterias e em taxas de água e esgoto, além do aumento nas passagens aéreas. Sozinhos, esses itens representaram um terço da inflação do mês passado.

A forte alta do IPCA de junho provavelmente sela o acordo para uma alta de 0,5 ponto percentual da Selic, segundo análise da maioria dos analistas de mercado.

A inflação está agora no ritmo mais alto desde o fim de 2003 e é quase o dobro do centro de meta do Banco Central – o que aponta quase com uma alta na Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), no fim deste mês de julho, avaliam.

Alimentos continuam sendo fator de pressão

Apesar da desaceleração, o aumento nos preços de alimentos no mês de junho ainda é firme. Uma alta de 0,63 em alimentos não é um resultado irrisório. Desacelerou, mas não significa que os preços foram reduzidos.

Em junho, itens como tomate, cenoura e hortaliças até ficaram mais baratos, porém alimentos importantes na mesa dos brasileiros ficaram ainda mais caros – além da cebola, a batata-inglesa e o leite longa vida também pressionaram.

Apesar da pressão de custos, a alimentação fora de casa subiu menos no primeiro semestre deste ano do que os alimentos consumidos diariamente pelos brasileiros em seus domicílios, que ficaram bem mais caros em 2015, segundo o IBGE.